Terapia Ocupacional

Missão brigadeiro

Não tenho certeza, mas acho que a maior parte das pessoas que me conhecem e que convivem comigo, sabem da minha maluquice por brigadeiro. Não tem pra esse doce! Brigadeiro é coisa de Deus, gente.

Quem será que inventou essa receita? Alguém sabe?

Não sei o nome do autor ou autora, mas sei que poderíamos ser melhores amigos!

Brigadeiro acompanha dias felizes e dias nem tão felizes assim! Dias de sol e de chuva.

Filme, novela, aniversário, chá de bebê, batizado, TPM, dores de amor, o que for.

Pode ser assim, enroladinho e com granulado, na panela pra comer de colher e raspar até o fim, dentro daqueles potinhos fofos, que geralmente são pequeninos e me fazem perder a noção de quantos eu quis – e claro, comi!

Mas calma… Essa ainda não é a história. É que achei bom explicar o porquê das coisas primeiro, entendeu?

Se bem que, nesse caso, não tem muito porquê, não. Eu gosto de brigadeiro. Muito. Pra caramba! E é isso.

Agora sim, me sinto mais à vontade para contar sobre os docinhos da fotografia.

Sempre falo sobre comidas gostosas, também comento minhas predileções sobre doces e salgados… Comer é uma alegria, não é?

E acho que é assim, o paladar vai mudando com o tempo. O meu pelo menos vem mudando…

O tempo passa e vamos experimentando um monte de coisas. Mas o fato é que o brigadeiro permanece em minha vida, entre as melhores coisas, inclusive!

Acho que serei uma idosa que adora brigadeiro, viu? Pensando que fui (ainda sou?) uma criança que gostou de brigadeiro, agora uma adulta que gosta igualmente, na mesma intensidade… Faz sentido, não faz?

Alguns entendem essa paixão e até compartilham, outros não entendem muito não. Minha Avó sempre faz essa receita maravilinda do céu, mas também sempre comenta que não sabe de onde vejo graça. Também pudera! Ela faz tantos pratos, doces, salgados… Os quais aprecio muito também, diga-se de passagem.

Mas eu acho graça quando ela fala que não vê graça. Eu vejo por nós duas viu, Vó? ♥

Com essa paixão mais que declarada e, pra minha sorte, muito correspondida, os idosos – Meus Queridos – acabam sabendo de mim e eu deles, é claro! Até porque, maluquice a gente não consegue esconder por muito tempo, por mais esforço que se faça, ainda mas se a maluquice for maluquice de brigadeiro. Aí, minha gente, não tem como!

Então, eis que num dia desses, uma senhora Querida aniversariou. Ela parecia não querer muito, mas fui lá e espalhei pra todo mundo saber que o dia era dela, só dela.

Espalhei me permitindo ser criança e porta-voz de uma boa notícia a todos: completar 90 anos não é corriqueiro não, poxa!

Era o dia perfeito pra receber abraços, cumprimentos, ligações e visitas. Para receber afeto. Assim foi. Me despedi fazendo festa, beijando, abraçando e até dançando.

No dia seguinte, cedinho, chego no trabalho e lá está a minha Querida, sorrindo, com um pequeno embrulho nas mãos.

Me olhando nos olhos, estende seus braços em minha direção e diz:
– “Não são muitos, mas guardei pra você”.

Já comecei o dia assim!

Quando abri, lá estavam eles: enroladinhos, intactos e brilhantes, como ficaram nossos olhos ao se encontrarem, no caminho da gratidão que o abraço coroou.

Já experimentei muitos brigadeiros por aí – ainda bem! Mas estes certamente foram especiais, por terem alguns ingredientes ia mais na receita: afeto, carinho, importância, lembrança… Desejo de presentear.

Fiquei pensando nela, separando os docinhos do seu aniversário e os guardando para mim.

Será que, de repente, disse logo para seus entes que não comessem tudo? Ou, talvez os tenha guardado antes da comemoração começar. Não sei. Não saberei… Mas gosto muito de imaginar a cena completa! Após “defender” os docinhos que já tinham destino certo, colocou-os numa caixinha que tinha até embrulho de presente.

Será que guardou em seu quarto? Na geladeira? Em alguma gaveta secreta?
Aí hoje, ao se levantar, trocou de roupa para descer e tomar o café com suas amigas, e lembrou-se de já descer o presente, à minha espera.

Cheguei. E a vi. Sorrimos. Me aproximei para nosso beijo de bom dia. Sorrindo muito, estende os braços, equilibrando a caixinha em suas mãos clarinhas, de dedos alongados e com aquelas manchinhas senis que acho a coisa mais linda!, e me entrega o presente.

Fica atenta, acompanhando meus movimentos para abrir o embrulho. Seus olhos brilham e ficam mais apertadinhos, quando solta uma gargalhada ao ver minha reação eufórica. Tá: totalmente sem postura. Fiquei muito feliz! Dei uns pulinhos e a abracei forte. Era brigadeiro, gente! Não cabia uma reação mais discreta.

O clichê se fez: o aniversário era dela, mas quem ganhou o melhor presente fui eu. Era o amor em formato de doce!

Os brigadeiros então, sãos e salvos foram entregues ao destinatário: meu coração.

Dona Anna, missão cumprida com sucesso, minha Querida!

 

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Uma terapeuta ocupacional, que escreve para (tentar!) entender o (seu) mundo.

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