Terapia Ocupacional

Você ocupa as pessoas?

Então você ocupa?

É isso que você faz?

Você ocupa as pessoas?

Aham. Olha que boa escolha profissional eu fiz?

Permito ao sujeito escolher quando e como deseja estar comigo. Se não consegue, auxilio e estimulo. Se mesmo assim não der, empresto de mim: as mãos, os olhos, o fazer e entrego afeto – que recebo de volta, praticamente no mesmo instante.

“Ah, mas é só um desenho. Colorir é tão fácil, quase infantil”. Aí depende do seu olhar – nesse caso, é o meu que importa e isso me deixa num lugar seguro e repleto de sentido. Nesse mesmo caso, o olhar do “meu” sujeito é mais valioso ainda.

Colorir pode ser fácil pra você. Pode ser “bobo” pra você. Assim como escovar os dentes, tomar banho, sacar dinheiro e viver. Enquanto fizer sentido para meu sujeito, você é só você. Respeito seu entendimento, pois no fundo o sentido está ali, sendo compartilhado numa relação única, profissional e muito particular.

Então, viva a Terapia Ocupacional! Viva o afeto e viva tudo o que é construído, descoberto e compartilhado.


*Nota de 2020

Que gostoso revisitar meus escritos…

Esse foi um dos textos mais partilhados. Mais de 425 compartilhamentos em uma página de T.O. no Facebook.

Ainda repercute bastante… Me assusto com o alcance que o mundo on-line tem, com todas suas dores e delícias…

Foi com essa senhora, cujas mãos aparecem na fotografia, que pude vivenciar uma das relações mais bonitas, intensas e cotidianas. Minha Querida tão, tão Querida. Tenho lindas lembranças de nós. A cada nova semana, me fazia encomendas bastante detalhadas do que desejava colorir. Tinha uma questão visual, por isso os traços dos desenhos precisavam ser mais grossos, fazendo contraste com o branco do papel sulfite. Ela analisava bem o que estava impresso ali. Confirmava se estava mesmo reconhecendo todos os detalhes, se eram flores tipo margaridinhas ou rosas, nas minúcias. Apontava os lápis semanalmente, como quem cuida do seu instrumento de trabalho. Comemoramos seus 100 anos, brindando com espumante, viu? Soube que após um tempo de saída, deixou de frequentar a sala de Terapia Ocupacional… Querida, tenho certeza que me ouve aí do céu. Honro sua trajetória com muita gratidão por ter feito parte de um pedacinho dela. Amei te conhecer, minha pérola. Que bom que pude expressar todo meu afeto em vida. Um beijo com saudade, e até um dia.

(Imagem: www.freepik.com)

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Uma terapeuta ocupacional, que escreve para (tentar!) entender o (seu) mundo.

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