Terapia Ocupacional

Distrar gente é fácil! Ocupar então? Facílimo!

Quantas vezes você planeja um atendimento com cuidado, responsabilidade, atenção, ética e afeto?
Separa os materiais, busca ampliar as opções e possibilidades para que ele escolha?
Quebra a cabeça pensando no objetivo que se pretende – da necessidade e/ou do desejo do sujeito; considera quais movimentos serão necessários para executar as atividades: grupos musculares x… Ixi, mas e se ele chegar triste?
É melhor tentar no plano inclinado? Posiciona e adapta, pensa nos sentidos e significados…
Para, ao final desse mesmo atendimento, o produto de tuuuudo isso ser tão somente um paninho de prato pintadinho bonitinho com biquinho na pontinha; ou uma caixinha de madeira com aplicação de um tecidinho com estampa de bolinha também bonitinha para guardar coisinhas; um rabisco sem sentido num papel qualquer, uma coisa feia que qualquer um faria, sozinho – e de graça, ainda por cima!
Distrair gente é fácil.
Ocupar então, facílimo!
Compra o livro de colorir jardins, mandalas, bichos e flores.
Então por que será que existe uma graduação, um curso de nível superior, “só para entreter” pessoas?
Para desenhar umas besteirinhas, brincar, fazer umas ginásticas e ensinar como escovar os dentes?
Pensa aí, enquanto fico eu aqui, com as dores e delícias da profissão que se ocupa do cotidiano: bater papo, fazer pão, pintar tela, assistir televisão, ir ao cinema, pintar parede, o teto, a mão, escrever, ir pra escola, ao mercado, para o bar. Para for onde for necessário.
Quem já precisou/precisa de um TO sabe a força, a potência e a importância desse ocupar.
Vai ter fuxico sim, árvore de Natal, bexiga, balão, órtese, adaptações, cadeira de rodas, lápis de cor, tinta, Economia Solidária, festa no Hospital, no CAPS, foto, exercício, despedida, repetição, jogos, café da tarde na UBS, brincadeira, escola, projeto de vida, jeito novo de pendurar roupa no varal e lugar para falar sobre a morte e o morrer..
E se reclamar, vai ter tudo em dobro, recheado de afeto, intenção e gesto.
Tudo assim alinhado e explicado bem explicadinho – especialmente para quem acha que entende entender!
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Uma terapeuta ocupacional, que escreve para (tentar!) entender o (seu) mundo.

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