Pessoalidades

Liberdade caça jeito

Às vezes, nem eu me sei. Motivada por estímulos de pessoas muito queridas, cá estou. Fiquei com receio de “oficializar” um espaço como este e, de repente, me sentir “obrigada” a criar os textos, sabe? 

Ainda não reconheço bem em qual momento decido escrever, nem o porquê. Também não sei apontar ou definir o que me faz começar e em qual circunstância. Geralmente, são assuntos e/ou situações do cotidiano que me provocam reflexão – quase sempre sou tomada por muuuuiiiita angústia afetos intensos… E essa afluência me toma o pensamento. 

Pisco os olhos e me vejo acessando o bloco de notas do celular, na esperança de tentar que nada escape de mim. As letras começam a combinar entre si, e no balé eufórico se dão as mãos. Reunem-se então em fileirinhas de palavras, que arranjadas formam uma oração. E depois outra, e mais outra…

Nessa coreografia um tanto particular e pitoresca, as orações – combinadas e destemidas, almejam o enunciado de algum juízo para enfim dar vida e corpo ao que foi conjeturado e estava cativo.

Veja, não posso e nem consigo estabelecer rotina: a inspiração e o desejo são livres, autárquicos. Sabem de si.

Eu “só” quero divertir. Quero me divertir. Quero continuar escrevendo enquanto sorrio, e com a testa desenhada e franzida pelas marcas de expressão: ávidas manufaturas da preocupação, da indignação e da angústia entalhadas no corpo.

É uma busca, uma urgência furtiva pelo alento que se fia à medida que escrevo e me escrevo; que lendo, estou obrigada a me ler. 

Quero continuar engendrando minha humanidade aflita e consternada – porque já é sabido: as palavras querem sair, elas querem ser livres… E liberdade caça jeito. 

Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito.

Manoel de Barros


*Nota de 2020:

Texto de 22 fevereiro de 2016, resgatado do blog antigo e atualizado durante o período do distanciamento social, imposto pela pandemia do novo coronavírus [edição em 31/07].

14

Uma terapeuta ocupacional, que escreve para (tentar!) entender o (seu) mundo.

4 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.