Cotidiano

Meus trinta e um

Eu adoro fazer aniversário!
Quanto mais primaveras, mais flores.
Hoje meu jardim está especialmente florido, repleto de movimento, de alegria e vida. Aliás, de alegrias! No plural. Porque são diversas… Algumas alegrias são bem grandes; são enormes! Intensas! E como árvores frondosas, fazem aquela sombra grande e bem fresquinha, perfeita para um piquenique. Porque sim, alegria e comida fazem um belíssimo par. Um par perfeito, eu diria. Inclusive, parando pensar rapidinho aqui: tem um monte de exemplos de “duplas imbatíveis”, que são o quê? Comidas! Só pra começar: queijo e goiabada! Pão e manteiga! Arroz e feijão… Viu só?

Mas voltando, ontem meu dia foi exatamente assim: enorme – tive até aula! Intenso, de muita alegria e afetos compartilhados! De bebidinhas e, claro, comida: parmegiana, batata frita, coxinha, sorvete, pétit gateau, brigadeiro de colher… Ou seja: fui muito feliz, né?

Bom, nesse jardim também tem as alegriazinhas. Pequeninas, íntimas, sutis. Como as joaninhas! Tão bonitinhas… Quando as percebo, sorrio. Me sinto até uma pessoa de sorte! E fico ali, olhando depressinha se ela tem bolinhas, se as asinhas brilham; se tem uma cor diferente das outras que já vi… Observo rapidinho, antes que ela tome seu rumo e se misture, ficando novamente escondidinha no mundo. Essas são as alegrias cotidianas.

Hoje acordei – com rímel até no queixo! Uma panda (?), sem dúvida, mas uma panda feliz. Felipe ainda “deixou” que fosse meu aniversário hoje, de novo! Só porque eu queria tomar café num lugarzinho, pra que depois disso fôssemos trocar o presente que ele me deu (não coube; ele comprou um tênis 36! deve ser porque acha/sabe que sou uma princesinha fofa, desprezando completamente meus quase 1.70cm de altura e meu jeitinho meigo e doce quando estou com fome). Fiquei muito alegre!

De novo, com comidinhas envolvidas na alegria – tá vendo? Trocamos meu presente. Gente, ficou bem lindo! E serviu direitinho… Só que no Felipe! Um tênis preto, novinho. Se acalmem, se acalmem. Obrigada pela preocupação, mas fiquem tranquilos que já já o meu chegará pelo Correio. ?

E eu sei que nesse jardim também tem dores. Já são trinta e uma primaveras. Não tem como ser diferente. Mas muitas delas até já viraram flor. Algumas brotaram e resistem; outras tantas morreram – adubo dos bons. Assim como as alegrias, as tristezas também precisam ser cuidadas. Precisam de água. Doce e salgada. De lágrima e de suor. E daquela coca cola gelada, do brigadeiro de colher. Precisam também do nosso esforço (oi análise duas vezes por semana, tudo bom?) e atenção para a evolução acontecer.

O fato é que só tem um jardim quem está vivo. E isso é um presente (pelo menos deveria ser, a maior parte do tempo). Sou grata por existir. Agradeço também – e profundamente – cada pessoa que pensou em mim, que me desejou coisas boas… Especialmente porque me lembraram o quanto viver é bom! Quem dedicou um pouquinho do seu tempo – sempre precioso – para me escrever, me ligar, me encontrar pessoalmente; quem me incluiu em uma oração, quem vibrou positivo por mim, me desejando luz nesse novo ciclo… Enfim, todos que gentilmente me auxiliaram a decorar o jardim e fazer a festa para recepcionar os “trinta e um”: muito obrigada.

Somos todos jardineiros de si, minha gente. Que sigamos lúcidos, serenos e solidários com os jardins e seus jardineiros, porque nunca sabemos o que foi preciso de adubo e dedicação pra garantir a florada, a sombra fresca e todo o verdinho que se vê. Que sejamos gentis, por gentileza.

1

Uma terapeuta ocupacional, que escreve para (tentar!) entender o (seu) mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.