Cotidiano

Hashtag viajei: Conversas da poltrona 15

Tenho uma história nova pra contar! Com esse título, já dá pra imaginar o cenário, não é? Claro que se passa no ônibus, durante uma ousada tentativa de ler um texto da disciplina de Referenciais Teóricos – é um nome meio difícil mesmo, eu concordo, mas podemos entender que é uma “matéria” da pós-graduação que estou fazendo. Tá bom?

Então, vou começar do começo – elementar, meus caro Watson! Foi assim: cheguei até que relativamente cedo na rodoviária e fui a primeira a entrar no ônibus. De repente, uma pequena confusão com o número das poltronas. Aparentemente duas pessoas compraram a mesma, a de número sete. Que coisa, né?

O motorista solucionou o caso. Um dos bilhetes era para o dia 16/09. A dona da passagem ficou meio desesperada, dizendo que precisava ir para Araraquara hoje mesmo, urgente. Problema resolvido, acomodou-se na poltrona de número 19. Aí sobem três senhoras, com bolsas, sacolinhas e uma certa, digamos, animação. Uma delas, ajudando a olhar o número correto dos assentos, estava com a respiração ofegante, mas seguia em pé, no corredor, dizendo que se não tivesse apressado a filha da Luzinete, não teriam conseguido chegar em tempo de pegar o ônibus das dez. As amigas concordaram. Uma delas comentou que até tinha conseguido correr um pouquinho, mesmo com toda dificuldade, ao que a outra respondeu que Deus a havia ajudado. Essa que estava de pé, auxiliando e organizando a viagem das amigas é a Maria. A outra é carinhosamente chamada de Maricota – pra diferenciar uma Maria da outra. E a terceira é a Luzinete.

Um grupo de três mulheres vestindo blusas alegres e floridas, comentando sobre a correria que foi pra chegar até a rodoviária. Duas horas de trânsito. Misericórdia essa cidade de São Paulo! Todas sentadinhas, o ônibus parte. Maria olha pra mim e me chamando de colega diz que elas correram a beça! Que até furaram a fila no guichê, mas claro que pediram licença e as pessoas concordaram que fossem atendidas.

Eu sorri, cansada de imaginar a correria, e disse que o importante era que estavam aqui. Maria balança a cabeça bem rapidinho, em sinal afirmativo. Eis que seu telefone toca e ela atende. Luzinete pergunta se é a fulana de tal, e Maria responde que não, que é a Bastiana – uma amiga de Boa Esperança, destino final do trio parada dura. Elas vão chegar lá apenas por volta das 16h00. É chão, né minha gente? Aí Maria pergunta para Bastiana, ao telefone, se ela tinha conseguido jogar ontem. Escuto uma resposta afirmativa. Maria responde que hoje não vai dar pra jogar não, e diz que está voltando pra casa com duas malas, ao que se corrige e diz, não, duas não! Duas malas de rodinha e mais duas sem rodinha, apontando para as amigas do banco da frente, com uma expressão arteira. Disse toda empolgada que já era a vigésima vez que convidava Maricota e que finalmente a bonita aceitara o convite. E Bastiana, você concorda que tenho que chegar e preparar um lanche, um café pra elas, né? Então, aí hoje não vai dar pra jogar, mas, apareça lá mais tarde viu? Vai tomar café com a gente. Maria se despede de Bastiana. De repente ela pergunta se a amiga tinha alguma novidade – ainda bem que Bastiana ainda não tinha desligado!

Falaram mais um pouquinho e infelizmente eu não pude saber qual era a boa nova que aparentemente deixou Maria contente. Nem eu e nem vocês. Na parada do ônibus, todas sentaram na mesma mesa, é claro, e pude ouví-las discutindo o peso de seus pratos. Claramente Maria é a responsável do bando. Pega água para as amigas, verifica se estão usando o cinto de segurança e se coloca à disposição caso precisem de algo, afinal é uma longa viagem.

Pelo visto, Maria é uma ótima anfitriã. Luzinete acaba de ouvir um áudio de alguém desejando uma ótima viagem, seguido de uma recomendação expressa para que visite o centro da cidade e tire bastante fotos. Passear é bom minha amiga, então aproveita, viu? Todas, como modernas e atuais que são, usando seus respectivos celulares muito bem, obrigada. Dedinho indicador rolando a tela, mensagens de áudio pelo WhatsApp, ligações para familiares.

Sou muito fiel com meu leitor, e aproveito para reforçar que os nomes são reais – não inventei nenhum, e aliás fiquei quebrando a cabeça pra lembrar o nome da terceira – a Luzinete. Mas… Termino aqui. Cheguei no meu ponto final. Elas seguem tirando um cochilo, afinal uma soneca após o almoço é coisa linda né? E pensando bem, pelo ritmo de Maria, é bom mesmo que as amigas aproveitem para descansar enquanto é tempo.

0

Uma terapeuta ocupacional, que escreve para (tentar!) entender o (seu) mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.